O QUALQUER A E A NINGUÉM

Posted by : DANIEL MORAES | 26 novembro, 2008 | Published in

“Carnaval, carnaval, carnaval... Eu fico triste quando chega o carnaval” (Luis Melodia)

Ela estava ali, na minha frente... O homem ao seu lado deveria ser o marido, pois estava com o filho no colo, numa típica cena de “família feliz...”.

Apesar de passados quatro anos, sua aparência continuava a mesma... (!). Nunca me esquecerei do dia em que nos conhecemos. Foi no carnaval de 2004, ano em que as vacas começaram a ficar magras (ah, se eu soubesse que elas iram ficar magérrimas...); nunca fui fã de carnaval, não esse modelo baseado em axé, onde só toca “Dandalunda”, “Maibê” e “Emugegé”, esse dialeto que só Baiano entende e que boa parte dos que “brincam” não sabe sequer o que significa (nem eu!).

Como minhas finanças começaram a degringolar, fui fazer um bico vendendo refrigerante e cerveja na Avenida; reuni uma tropa de amigos (amigos?) e fui aventurar! As vendas foram um fracasso, dos R$ 250,00 investidos no negócio ao final tive meros e R$ 150,00. Como isso aconteceu? “Desvio de verba” por “terceiros” e que eu nunca descobri como fizeram isso.

O fato é que no ultimo dia resolvi chutar o balde. Como o negócio de vender cerveja não ia bem, resolvi aproveitar o ultimo dia de festa. Deixei as bebidas que ainda tinham no isopor numa tia minha que mora perto de onde estava e caí na gandaia! Foi quando há vi... Morena de ancas fartas, seios pequenos, sorriso que iluminava tudo aquilo que tocava... Confesso que volta e meia, há esses rompantes de encantamento; fui a sua barraca de cachorro quente e disse: “moça, não sei seu nome, mas vou te dizer que eu parei pra você, me dá um beijo?”. Naquele momento, eu não era eu... Quando fiz a proposta, logo pensei que ali estava preparada a cena em que eu iria levar aquele tapa de cinema, foi quando uma língua atravessou minha boca e a boca dela começou a devorar a minha, numa frenética dança labial... Ao fim ela disse: “Meu nome é ninguém e o seu?”; “Prazer ninguém, meu nome é qualquer”. Após a risada de ambos ela decreta: “daqui a pouco eu largo aqui, me espera!”. Nem acreditei no que ouvia, aliás, não acreditava o que acontecia naquele carnaval. Fui roubado por pseudo amigos, estava demissionário de um bom emprego, e acabará de beijar uma ninguém. Eu realmente não era eu, e aquilo tudo não era aquilo tudo, era muito mais!

Depois de uma hora voltei a sua barraca. De cabelos soltos, e uma sorriso de dentes lindamente brancos fui abraçado, e uma voz rouca sussurra em meus ouvidos: “gato, agora você é meu!”. Fui contagiado pela firmeza das palavras da minha dona... Aquilo não era eu!
Fomos pro meio do povo de dançamos. Ali estavam O Qualquer e a Ninguém, quais querem desconhecidos, pulando, cantando (isso mesmo, eu cantava a todos os pulmões músicas clichês do Asa de Águia, Araquetu e por aí vai...), aproveitando o carnaval e por quê não dizer a vida, como se a mesma fosse acabar no outro dia.

Após um bom tempo no meio da multidão, saímos para beber água. Compramos cerveja num senhor que nos olhava com espanto. Não sei o que lhe chamou a atenção, mas enquanto nos beijávamos percebia que o mesmo nos olhava, meio que voyeur... Saímos da agitação do meio da filia e fomos nos encostar numa parede, onde ficamos no maior amasso (o bom do carnaval é que esse tipo de cena é comum, ninguém liga). O engraçado da situação é que só nos beijávamos... Não havia nenhum tipo de pergunta, nem as básicas como, onde você mora, quantos anos têm, etc.

Num dado momento o celular dela recebeu uma mensagem. Então ela disse: “vou no banheiro”. Sabia que era papo, a senha do fui! O que de fato ocorreu.

Nunca me esqueci daquele carnaval nem da figura da “Ninguém”. E ontem, ao vê-la todo esse momento me veio à cabeça, como um filme, como se 2004 fosse ontem... Pelo jeito que me encarou, sei que também não esqueceu... Aquele carnaval em que um “Qualquer” num ato de ousadia lhe pediu um beijo e ela correspondeu...

Esse foi um dos dias mais felizes e interessantes que já vivi! O dia em que o Daniel não existia mais; o dia em que nada mais era Mais; tudo se reduziu aquele instante em que eu não era eu.
EXTRA:

Desculpe a minha ausência e vossos bloguês, mas esssa semana tá foda! Correndo atrás de emprego, fazendo trabalhos finais de Faculdade e numa fase muito interessante do namoro... Me faz deixar um pouco a blogoesfera de lado; espero que a semana que vêm as coisa estejam mais "relaxadas". Um abraço a todos e bom final de semana.

(7) Comments

  1. Leticia said...

    Justificadíssimo qualquer!
    Amo esses momentos efêmeros...

    27 de novembro de 2008 10:30
  2. lugirão said...

    Daniel são momentos como esses que marcam a nossa vida, e os que sempre lembraremos.

    Eu também por demais atarefada, só não estou num momento bom do namoro,rs,

    Aproveite, a blogsfera não vai sumir....

    beijos

    27 de novembro de 2008 18:34
  3. paula barros said...

    Namoros de carnaval, sempre tem um charme a mais.

    Curta o seu namoro, aproveite, nós choramos, nos descabelamos, mas aguardamos.

    abraços

    27 de novembro de 2008 19:36
  4. Iara said...

    oi amigo.
    pena que so durou um carnaval..

    28 de novembro de 2008 00:15
  5. Mary West said...

    Carnavl. Amoooooooo okay? Aki vai todo mundo p/ interior e fica um clima meio q "o que acontece em vegas, fica em vegas" :D

    28 de novembro de 2008 21:05
  6. Mr. Jairo Souza said...

    Ai ai!
    nooossa!
    q história hein!
    uma de suas melhores até agora!
    esses momentos são eternos!
    Li a justificativa de sua ausência, mas ainda estou com projetos pro blues na veia, queria fazer um post sobre a história do envolvimento da música negra com o início do rock, enfim... mas primeiro preciso que vc poste alguma coisa lah dizendo q o blob voltou a ativa! enfim... qnd estiver com tempo denovo contacteme!

    29 de novembro de 2008 11:21
  7. Valéria de Oliveira said...

    Que história interessante. Os olhares se cruzam e vocês se lembram do momento. Hahahah Dani, parabéns pela coragem de fazer o que deu vontade. Olha aí no que deu: A linda história de uma paixão. Que explodiu naquele momento, naquele lugar e foi-se como um vento que sobra ao leste. Rs (:

    30 de novembro de 2008 19:44